Wednesday 21 de September de 2011, 04:36

Fire Nation

Tudo naquela terra me era estranho. O ar, quente e seco, parecia estar sempre carregado com o cheiro salgado de ervas jogadas à brasa. De dia, um constante pôr-do-sol cobria-nos – as nuvens pareciam incapazes de refletir senão o conhecido tom de laranja. A luminosidade direta era sempre omissa pela constante ação dos vulcões, que tossiam uma cortina de fumaça em torno do arquipélago da Nação do Fogo e faziam daquelas redondezas um lugar não muito saudável para se viver. Certos dias, dependendo da direção do vento, a fuligem caía e cobria as ruas em um simulacro de neve que, apesar da precariedade, me trazia lembranças de casa.
Deitada na cama de dossel no centro do quarto – que era seu único luxo por ser, justamente, a ferramenta da profissão – eu buscava a visão da lua através da janela entreaberta aquela noite, mas tudo o que via era um grande borrão luminoso. A lua, assim como meu lar e assim como minha identidade, insinuava-se por detrás das cortinas lúgubres que a cobria, em uma forma de assegurar-me que, apesar de não vista, permanece em seu lugar, imutável.
- Aruna? – O chamado foi inesperado. A voz era rouca, grave, estranhamente vibrante em seu abatimento.
- Boa noite, soldado. – Eu disse, erguendo-me para recebê-lo conforme ordenava a etiqueta. Independentemente do quão baixo eu chegasse na escala social, sempre haveria de me obrigar a seguir os bons-modos.
Vi sua silhueta através do tule esvoaçante que substituía a porta – era baixo e bastante forte – até que pude ver seu rosto no que ele afastou o tecido com uma das mãos e deu um passo para dentro do aposento. Pareceu-me familiar. Certamente já havia visto aqueles olhos cor-de-bronze em outro rosto que não fosse aquele. Estava igualmente segura de conhecer aquele nariz anguloso e aquele maxilar marcado.
- General Iroh! – Curvei-me assim que a contemplação do rosto daquele senhor me trouxe à memória um jovem comandante de suíças pontiagudas e olhos cheios de vida. Cheios de fogo. Lu Ten costumava freqüentar demais aquele quarto antes de sua partida com o exército de seu pai para Ba Sing Se, e essa era a única ligação que uma criatura desafortunada como eu poderia ter com o Dragão do Oeste.
E, no entanto, ali estava ele, esquadrinhando-me com olhos apagados – tão diferentemente de como me lembrava ter feito seu filho outrora.

Sob a influência de ter (re)visto toda a primeira temporada de Avatar com o digníssimo namorado, fiz ressurgir uma antiga idéia de fanfiction nesse universo. Não pretendo escrevê-la mais a fundo, mas foi bom relembrar meus planos para o Iroh e minhas idéias para tapar os buracos deixados pelos roteiristas na história desse núcleo de personagens.
Quem adivinhar o que exatamente a Aruna faz da vida e de onde ela é ganha uma estrelinha dourada.












5 Comentários em “Longe de casa, sob o céu em chamas.”


21-09-2011 - 13:00

deixa eu ver…a cama é o instrumento de trabalho dela? consigo pensar em uma unica profissão. de qlqr forma é otimo ler alguma coisa sobre Avatar… dá vontade de escrever algo do genero tbm.

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21-09-2011 - 16:28

Minha irmã mais velha e meu cunhado adoram Avatar, contaram um pouco sobre. E eu vi o filme… Bom, é bem interessante. Acho que a Aruna deve ser ou carpinteira ou blacksmith. E de terra, não?

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21-09-2011 - 17:51

e essa guria ainda escreveu essa página irrefletidamente, ou melhor, sob puro impulso criativo. Ei, Acho que você tem talento pra fanfiction, pena que você não conhece muitos games…

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21-09-2011 - 21:03

Se a cama em si é onde ela trabalha, então é algo que ela faz enquanto dorme? Huahua. Ela escreve, ela sonha? Neve… Hum… Gelo, água? Algo assim?

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william responde:

jess, eu diria q ela é dobradora de fogo… mas não desse fogo q sua mente inocente está pensando agora.