Ainda que tendo adiado ao máximo fazê-lo, descrever-me é algo necessário aqui. Afinal, por que se importar com a história antes de se importar com a personagem? Está apenas ao meu alcance descrever a personagem em questão, tal qual ela é – ou tal qual a percebo, com toda a possível parcialidade de quem fala de si mesmo.
Sou gaúcha, nasci em Santa Maria, mas se lar é onde o coração se encontra, o meu certamente é Porto Alegre. Hoje moro em Pelotas, curso Bacharelado em Letras na UFPel, faço legendas para produções britânicas com as maravilhosas Victorians, trabalho como bolsista, coordeno meu projeto de escrita criativa com outros cinco companheiros de caneta no Writer’s Block, além de manter aqui, no Unnecessary, pedacinhos da minha alma.
Eu gosto muito de ler, o que não quer dizer necessariamente que gosto de ler muito. Até hoje tenho me caracterizado uma leitora preguiçosa e um tanto “unifacetada”, devo confessar. Mas cada um dos livros que escolho recebe de mim total dedicação, e embora abandone-os na estante por um tempo, sempre haverei de retornar a eles, relê-los, reencontrar velhos amigos. Não leio para fazer número. Leio o que gosto, por que gosto e quando me apraz. Leio por prazer, e que prazer maior pode haver? Entre os meus favoritos de todos os tempos estão: A Casa Soturna – Charles Dickens, Emma – Jane Austen, Norte e Sul – Elizabeth Gaskell, O Retrato de Dorian Gray – Oscar Wilde, e Os Três Mosqueteiros – Alexandre Dumas.
Amo produções de época, principalmente as britânicas. Tento me manter a par de tudo o que foi ou vai ser lançado nesse gênero (e nisso o Victorians tem me ajudado). A adaptação de A Casa Soturna (Bleak House, BBC) figura entre as minhas séries favoritas, mas não só de era vitoriana vive uma pessoa. Battlestar Galactica deve estar em primeiro lugar nesta lista, frak yeah! Acompanho House, The Middle e Modern Family (minha sempre presente atração pelas relações do dia-a-dia), e, se posso fazer aqui uma confissão, também vejo Project Runway para relaxar. Todo mundo tem um Guilty Pleasure.
Quanto aos filmes, tive uma época bastante retrô em que saía à caça de filmes feitos de 1935 a 1955 – e se neles estivesse George Sanders, Vivien Leigh ou Laurence Olivier, tanto melhor. Foi nessa época que desbravei os recantos mais misteriosos do Download e da pesquisa por links. Hoje me considero uma profissional, e raramente tenho mais de 10GB livres no meu PC, mas hoje em dia vejo muita coisa por streaming online.
Sou atéia e um tanto cética quanto a tudo. Mas o mundo não me é nem mais, nem menos poético por isso. O mundo em si, sem Deus, sem astrologia, espiritismo ou kaballah, me parece um lugar incrível. Instiga-me a curiosidade e me faz procurar entender suas maravilhas da melhor forma que a informação disponível e o meu intelecto me permitem. A evolução física e comportamental de animais e da nossa própria espécie, o funcionamento das forças da natureza, o nascimento do universo, o estado do nosso planeta e dos que nos cercam, os mecanismos da mente humana… Minha pasta de documentários baixados têm estado cheia nos últimos tempos. Conhecimento nunca é demais, acredito, e essa deveria ser a mentalidade de todos, tenha-se uma religião ou não.
Música? Adoro, e melodias estão sempre presentes para descrever meu estado de espírito – ou revertê-lo – nos diversos momentos da minha vida. Considerando “trilha sonora” um gênero, e os filmes em que aparecem, como “bandas”, North & South, Emma, Battlestar Galactica, Rome, Little Women e Pirates of the Caribbean seriam as minhas favoritas. Fora isso, também ouço bastante Yann Tiersen, Emilie Autumn, Apocalyptica, Rondo Veneziano e, de quando em vez, um bom Rammstein.
Isso é o que eu faço e o que eu gosto. Mas o que eu sou? Gosto de dizer que “eu não sou, eu estou sendo”. O importante é manter-se fiel ao que se é naquele momento. Neste momento em particular estou me permitindo crescer. No entanto, tento preservar em mim a imaginação da infância, minha habilidade de sonhar e minha ânsia pelo futuro, como se o horizonte me reservasse maravilhas.